terça-feira, abril 22, 2008

Burger King (Whooper) VS McDonalds (Big Mac)



Ola meus queridos, há bocado descobri um blog de críticas de restaurante mas muito à frente aqui fica uma crítica mordaz aos grandes fast-foods:

Entre os dois...

Imagine entrar nos pastéis de Belém e o empregado dizer-lhe que deixaram de servir pastéis de nata, que tinham sido descontinuados. Mas que têm bolos de arroz e chamuças. Foi assim que se sentiram os clientes do Burger King quando a empresa simulou, durante um dia, o fim do Whopper. Americanos incrédulos perante o arbítrio e a injustiça – vale a pena ver (http://www.whopperfreakout.com/index.html). Percebe-se porquê.
Ir ao Burger King ou ao McDonald’s é uma espécie de eucaristia. Em todo o mundo, naquele momento, milhões de pessoas de várias cores, credos e carros fizeram o mesmo gesto. Uns atrás dos outros, dirigiram-se a um jovem entre desempregos (ou detenções) e pediram-lhes o pão da vida em troco de umas moedas.
Ir ao Burger King ou ao McDonald’s é também um porto de abrigo nas viagens gastronomicamente mais turbulentas. Que bem que sabe um Cheeseburger ao fim de uns dias na Alemanha sem comida que satisfaça.
Comparar o Big Mac com o Whopper é como comparar um Smart com uma Vespa. São ambos funcionais e urbanos e um símbolo das respectivas marcas. Mas de resto são totalmente diferentes, objectiva e subjectivamente.
Dentro de um Whopper está, além de apenas um hambúrguer, tomate, alface e cebola crua, maionese, ketchup e pickles. O Big Mac tem dois hambúrgueres, uma fatia de pão entre os dois andares (conhecida como a placa), molho especial (!), cebola, alface, pickles e queijo, e não tem tomate.
Está bem visto isto do Big Mac ter uma placa entre os dois andares. Aguenta aquilo mais direito. Mas a caixa não ajuda. O contacto mais importante com a fast food é a mão que o levanta do tabuleiro. E logo nisso o Whopper parte na frente. A caixa de um Big Mac é sempre difícil de manusear e de abrir, transmite uma ideia de falsa de segurança. Tirar um Big Mac daquela caixa é de suster a respiração - como quando mãos trémulas com quatro alianças bambas no anelar já só osso e veia tiram o bisneto do berço. Nunca sai bem: ou se desmancha um pouco, ou o queijo colou à caixa que vem atrás. Que diferença, o pacote do Whopper, que se agarra em toda a volta, os barulhinhos do papel ceroso. E depois o desembrulhar que descobre um hambúrguer largo, um cheiro a churrasco (dizem uns que é sintetizado, outros que vem de ser grelhado), cebola fresca, maionese sólida. Os pickles que se comem (e não se retiram de dedos em pinça como vejo tantas vezes fazerem aos do Big Mac). É leve o Whopper, a cebola normalmente fresca e rija a ligar bem com o pão e o tomate, o molho sem o acidulado do molho especial do Big Mac.
E o conforto que se sente depois de um Whopper é mais profundo e subtil do que após um Big Mac. Perdura mais, enjoa menos.Resumindo e concluindo, o Whopper é o melhor dos dois, em sabor, leveza e coerência. Também é dezasseis por cento mais caro (€ 2,70 vs € 3,20) e faz pior à saúde. Mas talvez isso não preocupe muito os comensais. Lourenço Viegas

Time Out, n.º 23, 8MAR08

in http://contra-prova.blogspot.com/